quarta-feira, 4 de junho de 2014

Artigo do Prefeito: A reciclagem do polígono ferroviário

Zaqueu Proença / Secom

Antonio Carlos Pannunzio
Prefeito de Sorocaba

A Praça Frank Speers, mais conhecida como Largo Líder em função do cinema que ali funcionou durante muitos anos, foi uma das áreas públicas mais movimentadas do antigo Além Linha. 

Ali, se situam os portões pelos quais, a cada dia, os artífices das oficinas da velha Estrada de Ferro Sorocabana e os funcionários dos seus escritórios administrativos entravam para seus locais de trabalho.

A área ocupada pelo conjunto constituído pelas oficinas, escritórios, instalações do Curso Ferroviário, prédio da Escola “Luís Mateus Maylasky”, pátio de manobras, via férrea dupla, Estação, seus armazéns e serviços complementares é enorme.

A existência desse polígono vazio no centro da cidade, que do Largo do Líder se projeta, fazendo fundo com as propriedades das ruas Aparecida, Alameda Kenworthy e Carlos M. Oeterer em direção à Avenida Dom Aguirre e, chegando por ela, chega ao trecho inicial Avenida Afonso Vergueiro e, margeando-a, aos baixos do Viaduto Jânio Quadros. Segue pelos fundos das propriedades das Ruas Hermelino Matarazzo e Arlindo Luz, até retornar à Praça Frank Speers.

Trata-se da maior área urbana contínua de Sorocaba, e está quase totalmente sem utilização. As oficinas, da qual saíram muitos dos artífices que ajudaram a implantar a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, e na implantação de nossa Zona Industrial, muitas das empresas que aqui se instalaram, acham-se desativadas. 

O Curso Ferroviário, no qual se desenvolveu o modelo de ensino posteriormente adotado pelo Senai, encerrou suas atividades. A estação não mais embarca ou desembarca passageiros. Dos antigos equipamentos, o único que permanece em atividade é a Escola “Mateus Maylasky”, transformada em unidade do Ensino Municipal.

Nesse sentido, os entendimentos em curso entre a Prefeitura e o Governo Federal, visando instalar nos antigos escritórios da ferrovia a sede definitiva do campus Sorocaba, do Instituto Federal de Tecnologia de São Paulo, é um passo importante para reocupação e revitalização da área, com novas e importantes funções.

Os institutos tecnológicos são uma experiência nova do Governo Federal, cobrindo as áreas de tecnologia, ciências e educação. Compõem uma rede de educação e pesquisa em ensino superior que, partindo da área tecnológica, alcança progressivamente outras áreas do conhecimento. Seus campus – uns mais, outros menos – estão vocacionados a originarem novos institutos. Esse certamente deverá ser o caso daquele que começar a fixar-se definitivamente em Sorocaba. 

Num primeiro momento, ele ocupará apenas uma mínima fração do velho polígono da Sorocabana, mas espera-se que, no futuro, diversifique seus cursos, multiplique seus laboratórios, oficinas, bibliotecas e equipamentos esportivos e termine por adaptar e ocupar boa parte dos antigos pavilhões da Sorocabana e suas áreas de movimentação interna. 

Além de contar com espaços para socialização, movimentação e estacionamento de veículos, o polígono apresenta saídas – que poderão e deverão ser ampliadas – para importantes vias públicas da cidade – o Largo do Líder, as Avenidas Dom Aguirre e Afonso Vergueiro e as Ruas Hermelino Matarazzo e Arlindo Luz.

Poderá abrigar, confortavelmente, suas salas de aula, bibliotecas, laboratórios, quadras e áreas de convivência, trazendo vida nova ao centro, ao Jardim Santa Rosália e a um vasto segmento do Além Linha. 

Reciclar áreas urbanas em desuso é um desafio aos governos em diferentes pontos do mundo. Na Argentina, reciclando armazéns portuários desativados, Buenos Aires, em parceria com a iniciativa privada, o conjunto turístico de Puerto Madero, hoje área de visitação obrigatória para quem visita a cidade.

Com seus milhares de metros de metros quadrados, o antigo polígono ferroviário de Sorocaba é um inaceitável desperdício urbanístico e, se não for rapidamente preenchido por atividades socialmente úteis e economicamente sustentáveis, converter-se-á rapidamente num problema para a cidade. 

Inversamente, através do campus do Instituto Federal, ele tem condições de tornar-se um forte ponto de apoio ao desenvolvimento regional. Pode, igualmente, concorrer para adensar a população do entorno, área que já dispõe de toda infraestrutura urbana, sem os inconvenientes da chamada gentrização - substituição da população original por moradores de classe socioeconômica mais elevada, até porque em seu interior não existem habitantes e, a população do entorno é relativamente pouco numerosa. 

Disposição do poder público municipal de viabilizar tal possibilidade não falta. A reciclagem do polígono ferroviário e a dinamização do seu entorno concorrerão para que uma parcela da cidade, ameaçada pela subutilização, volte a vibrar no ritmo da metrópole.

*Artigo publicado pelo jornal Diário de Sorocaba em 3 de junho de 2014