sexta-feira, 6 de junho de 2014

Artigo do Prefeito: Atenção psicossocial


Emerson Ferraz / Secom


Antonio Carlos Pannunzio  
Prefeito de Sorocaba

Houve momento em que Sorocaba se destacava pelo número hospitais psiquiátricos. Quando o Brasil foi alcançado pela proposta de uma sociedade sem manicômios, eles passaram a ser vistos com olhos mais críticos e foram progressivamente sendo desativados.

Quem inadvertidamente, ao analisar a oferta de leitos SUS no município, mistura hospitais gerais e psiquiátricos conclui, erradamente, que tivemos, em décadas recentes, uma perda enorme de leitos hospitalares gratuitos. Na verdade, perdeu manicômios.

Na medida em que iam sendo desativados, muita vez por decisão da autoridade competente, a sociedade percebia que, como regra, aquelas unidades de hospitalização deixavam rastros assustadores. O número de mortos, entre as pessoas a eles recolhidas, superava em muito o de indivíduos não institucionalizados das mesmas faixas etárias.  
Hoje, Sorocaba trabalha com os portadores de distúrbios mentais através de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O mais recente deles, o da Vila Progresso, que entrou em operação há dias, é de nível III, funciona no regime 24 horas e comanda múltiplos programas.

Tivéssemos de lidar apenas com os transtornos clássicos, gerados pelas perturbações mentais propriamente ditas, estaríamos numa situação privilegiada. Mas, como tantos centros urbanos brasileiros, a cidade enfrenta uma emergência preocupante: o crescimento acelerado do número daqueles cujos distúrbios provem do uso de drogas lícitas (álcool, principalmente) e ilícitas (notadamente o crack).

O município está fazendo a parte que lhe cabe. É indispensável, porém, que a sociedade participe da luta, educando crianças e jovens contra o uso da droga, para evitar que a demanda de atendimento nos CAPS supere qualquer possibilidade de atendimento.

*Artigo publicado pelo jornal Bom Dia Sorocaba em 4 de junho de 2014