terça-feira, 15 de abril de 2014

Artigo do Prefeito: Em cima e embaixo da terra

A duplicação da Av. Victor Andrew vai facilitar acesso da Zona Industrial com Zona Norte, Zona Leste e Castelinho (Foto: Emerson Ferraz / Secom)


Antonio Carlos Pannunzio
Prefeito de Sorocaba

Quando se fala do processo de urbanização do município, as pessoas lembram-se imediatamente da Zona Norte e da nossa extensa conurbação com Votorantim, nas imediações do Campolim. É fácil entender porque isso ocorre. A multiplicação de empreendimentos imobiliários, naqueles locais, começou há mais tempo. Além disso, ambos se integram diretamente à área urbana principal.

Em pouquíssimo tempo, no entanto, ficará evidente o ingresso, no grupo de áreas em fase de urbanização acelerada, dos entornos de bairros não ligados diretamente ao núcleo urbano principal, como Éden, Cajuru e Aparecidinha. 

A densidade populacional dos mesmos cresce em velocidade crescente, obrigando o governo municipal a destacar recursos expressivos do seu planejamento estratégico para garantir a atenção às necessidades de seus atuais e futuros moradores – o que é absolutamente justo e necessário – bem como as múltiplas empresas ali em plena operação. 


Alguns desses investimentos são visíveis. Feitos em cima da terra podem ter o seu início e desenvolvimento acompanhados pela população. Outros, igualmente indispensáveis, ficam abaixo do nível do solo – como é o caso das obras de saneamento básico. Como não são vistos, nem sempre são adequadamente valorizados pela população, ainda que esta, antes da realização dos mesmos, reclamasse de forma altissonante com os problemas gerados pela sua ausência.

A Prefeitura vem executando em ritmo acelerado a duplicação da Av. Victor Andrew, com uma extensão total de 4,8 quilômetros. Os primeiros 860 metros já foram duplicados, faltando apenas os serviços de paisagismo.

Fundamental para melhorar o fluxo viário na Zona Industrial, nos acessos às Zonas Norte e Leste e à Rodovia Senador José Ermírio de Moraes (Castelinho), a avenida terá duas pistas, cada uma delas com duas faixas de rolamentos, divididas por um canteiro central e com ciclovia no trecho entre a Av. Fernando Stecca e a Rua Bonifácio Oliveira Cassu, no Éden que se interliga com a com a Avenida Independência - espinha dorsal do Éden.

Sua duplicação traz benefícios diretos a um numeroso contingente de núcleos habitacionais que orbitam ao redor do Éden, facilitando grandemente a ligação deles entre si, com o centro comercial e de serviços do Éden e o centro urbano. 

Segundo o cronograma estabelecido pela Prefeitura, a duplicação da Victor Andrew deve ser concluída até o final deste ano. 

Outra obra viária importante para aqueles aglomerados populacionais é o futuro asfaltamento da Avenida 3 de Março, cujo traçado se confunde com antiga Estrada da Aparecidinha e suas famosas “três águas”. A partir do Alto da Boa Vista e passando pelas instalações atuais da Casa do Advogado e do Parque Natural “Chico Mendes”, liga a cidade com os múltiplos bairros e condomínios que estão surgindo nas imediações do histórico santuário.

Avenidas são fundamentais, mas não bastam para garantir a qualidade de vida da população que vai se fixando naquela parte da cidade. Os moradores do Éden, do Cajuru, da Aparecidinha e das dezenas de novos núcleos residenciais, que ali já afloraram ou estão aflorando, precisam contar com uma estrutura adequada de saneamento básico. 

Na semana que ontem se encerrou, a Câmara de Sorocaba, depois de um longo debate, autorizou a Prefeitura a contrair um empréstimo de R$ 11 milhões que permitirá aumentar em 50% a capacidade atual da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Éden.  

O Legislativo demonstrou, com tal deliberação, louvável sensibilidade. A captação, pelos municípios, de recursos para investimentos em infraestrutura acha-se cada vez mais submetida a rigorosos padrões de controle interno e externo. Os prazos estabelecidos pelos órgãos financiadores são estreitos e improrrogáveis. A exigência de projetos tecnicamente detalhados, bem fundamentados e juridicamente viabilizados segundo os prazos definidos pelo agente financiador é cada vez maior. 

Embora seja desejável, para o Executivo, que o debate que antecede a autorização para formalizar empréstimos dessa natureza se alongue, explicitando seus detalhes e esclarecendo todas as dúvidas, isso nem sempre é possível, pelas razões acima expostas.  Os legisladores sorocabanos, sabiamente, priorizaram o interesse dos munícipes e aprovaram a solicitação da Prefeitura, optando por fiscalizar com rigor os contratos e procedimentos necessários à execução da obra e ao consequente trabalho que os recursos mutuados vai financiar.  

Ainda no que se refere às obras pouco perceptíveis e ainda assim de grande valia à qualidade de vida dos sorocabanos, o governo local, através do Saae, completou em três meses um conjunto de obras que eliminarão o problema da falta d’água em numerosos bairros da cidade. 

Em termos de abastecimento, o caso sorocabano é essencialmente diferente daquele da capital paulista. Embora nossos mananciais também estejam sofrendo as consequências da longa estiagem, a quantidade de água bruta recebida e tratada pela Estação de Tratamento de Água do Cerrado é suficiente para que a cidade não sofra transtornos. 

Ocorre que, com o adensamento populacional, especialmente na Zona Norte, as linhas de distribuição não mais conseguiam fazer essa distribuição a contento. 

O Saae não se limitou a fazer a constatação do problema. Atuando com presteza, substituiu, em poucos meses, a rede de distribuição entre a ETA do Cerrado e a Avenida Santos Dumont, na Zona Norte. Em paralelo, implantou um sistema de bombeamento da água mais potente. A capacidade de distribuição cresceu 50% e, em milhares de residências, os moradores não mais terão de preocupar-se com a irregularidade do abastecimento. 

Intervenções profundas, como aquelas aqui relatadas, nem sempre são detectadas de imediato pela população. Tais obras semelham à implantação dos alicerces na construção de uma casa: exigem tempo e grandes recursos e são quase invisíveis. Em compensação, quando executados na hora certa e de maneira adequada, permitem que, em seguida, as paredes e a cobertura sejam executadas com rapidez e segurança.  

Meu governo, sem se esquecer do sistema viário, que tem um pacote de obras importantes em andamento ou em processo de licitação, vem dando uma atenção especial às questões do saneamento básico, mantendo, reforçando e ampliando a estrutura de captação, tratamento e distribuição de água tratada, essenciais à qualidade de vida dos sorocabanos.  


*Artigo publicado pelo jornal Diário de Sorocaba em 15 de abril de 2014